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martedì 30 settembre 2014

Um romance para emocionar



Diferente das outras figuras de linguagem, a hipotipose, escolhida como referência nesse estudo, não é baseada em uma regra semântica. O leitor deve colaborar com o texto para construir uma representação visual daquilo que está lendo. Neste sentido defendemos na presente dissertação o ponto de vista do teórico alemão Wofgang Iser, que acreditava em um leitor implícito para todo texto narrativo.  Este leitor teria a palavra final sobre o texto lido usando o seu repertório textual anterior àquela leitura para preencher os espaços vazios de interpretação deixados pelo autor.
 A hipotipose pode ser um elemento de identificação dos vazios porque propõe imagens que devem ser visualizadas pelo leitor, pedindo mais claramente a colaboração por meio do ato de leitura, um ato de poder simbólico sobre as palavras que revela comportamentos relacionados ao gênero, condição social, escolaridade, idade, etc. Ou seja, a leitura é um parâmetro social de identificação do leitor e do sucesso de um texto a partir da proposta do autor. Neste caso existem diversos indícios de uma específica proposta de Elsa Morante ao escrever esse romance da forma como foi elaborado, com escolhas que justificam o uso das imagens como referência na construção dos personagens.
Antes de tudo A História é um romance para emocionar, envolvente e doloroso. A escolha de uma personagem mater dolorosa como personagem principal aponta claramente para essa opção. É um mergulho na alma de uma mãe, simplória e sem paixões, que tem como única razão de viver a sobrevivência sua e de seus filhos. Ao mesmo tempo ela percebe as angústias dos filhos, tenta ajudá-los, mas seus recursos são poucos e de nada adianta, talvez nada adiantaria mesmo se Ida Ramundo tivesse condições reais de intervir no fluxo da história.
A violência da História é tão poderosa quanto a do destino. Não se pode escapar ao que se é, ao que se é capaz de fazer ou criar. Essa parece ser a chave de leitura desse romance contraditório por natureza, visto que tenta fazer uma comparação difícil entre a História da humanidade e a história individual. Essa composição dialógica tende ao exagero e à busca de paralelos que muitas vezes escapam a uma narrativa coerente. Por esse motivo o uso excessivo de imagens e descrições é tão marcante e decisivo.
A dissertação é, sem dúvidas, sobre o uso da hipotipose como mecanismo de linguagem para o enriquecimento da narrativa. Mas o foco que permeia todo o trabalho é a expressão da alteridade de Ida Ramundo enquanto mulher e mãe, levando em consideração o caso específico de desintegração anímica, de sofrimento físico e de pressão mental aos quais essa personagem é submetida ao longo da história. A maternidade não aparece como um fator negativo e degradante da sua situação individual, mas também não é o aspecto redentor da sua humanidade. A maternidade em A História se apresenta como um ponto de vista, e provavelmente por isso ela aparece em diversos momentos e em tons muito diferenciados.


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