Esse estudo pretende ser uma crítica literária sobre como a autora Elsa Morante consegue transmitir imagens por meio das palavras no romance A História, particularmente com o uso da hipotipose, e como, através dessa figura retórica, ela revela a alteridade dos personagens e o papel da maternidade em uma específica situação social. A proposta é aproximar a leitura do texto ao propósito da autora, que deixou claro que desejava “leitores analfabetos” que enfrentassem o romance como um triste relato de uma história sem fim. Um leitor que aceite a proposta de uma literatura aparentemente não engajada, mas que exige uma participação ativa. Portanto cabe aqui a aplicação da teoria do efeito estético, que demonstra que a interação do leitor com o texto é essencial para as propostas narrativas.
O caminho foi percorrido buscando a imagem como referência de análise. Aqui todo o esforço foi concentrado na procura de um método narrativo ancorado na imagem. Para justificar essa escolha foi realizado um estudo sobre o papel da leitura no mundo ocidental e de que modo a prática de ler se articula com as questões de gênero, no caso do livro ter sido escrito por uma mulher e do público-leitor para quem ela se dirigia. Portanto a escolha da maternidade como ponto de referência constante para a construção das imagens e, consequentemente, da alteridade dos personagens.
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