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domenica 29 maggio 2011

Anticonformista

Elsa Morante nasceu em Roma em 1912, filha de Irma Poggibonsi – casada com Augusto Morante – e Francesco Lo Monaco. Augusto Morante a registrou como sua filha e a criou, apesar de não ser o pai natural. A mãe era professora primária e Augusto Morante trabalhava no reformatório romano “Aristide Gabelli”. Na primeira infância, Elsa morava em um quarteirão popular de Roma, Testaccio, e não frequentou a escola elementar, morando temporariamente de favor na casa de uma parente distante. Somente em 1922, quando a sua família se muda para o bairro Monteverde Nuovo, Elsa Morante irá para a escola. Aos 18 anos, sai de casa, vai viver sozinha e começa a faculdade de Letras, mas abandona o curso porque não tem condições financeiras para continuar estudando. Dará aulas particulares e começará a escrever profissionalmente neste período.
Sua carreira como escritora tem início no emprego como jornalista na década de 1930.  Esse trabalho abre caminho também para a publicação dos seus primeiros contos, como La Nonna e Via dell’Angelo. É a época também em que conhece o escritor Alberto Moravia, com quem terá uma longa relação.
 Em 1941 Elsa e Moravia se casam. Ele irá permitir que Elsa Morante possa escrever com menos angústia do ponto de vista econômico. 
Entre 1941 e 1943 Elsa Morante publica a coletânea de contos Il Gioco segreto, pela editora Garzanti, e a fábula Le Bellissime avventure di Caterí della trecciolina, pela editora Einaudi, com ilustrações feitas pela própria escritora. Nesse período, começa a escrever o seu primeiro romance, Menzogna e sortilegio, a saga de uma família do sul da Itália contada por Elisa, membro da última geração da família, que resolveu viver confinada no seu quarto. 
Já neste primeiro romance vemos as várias nuances de problemas de comportamento, indicando uma preocupação com a saúde mental dos seus personagens, que tendem a ter atitudes no mínimo bizarras. A incapacidade de adequação à sociedade, problema que aflige à própria escritora, é presente em diversos graus na sua obra. Elisa, sua mãe, seu pai, sua avó, enfim, toda a família da narradora de Menzogna e sortilegio é marcada pela dificuldade de se relacionar, tanto entre eles quanto com o resto do mundo. Na época em que o romance foi escrito, Alberto Moravia é acusado de atividades antifascistas e o escritor e sua mulher são obrigados a sair de Roma. 
Somente após o fim da guerra o casal voltará a viver na cidade natal de Elsa Morante e poderá retomar as atividades profissionais. Em 1948 a editora Einaudi publica Menzogna e sortilegio, que vence o prêmio Viareggio. Em 1957 publica L’Isola di Arturo, que vence o prêmio Strega de literatura. É um romance sobre o amadurecimento de um garoto que vive praticamente segregado na ilha de Procida, na Itália.  Também neste livro temos um personagem que não consegue se relacionar com o resto da comunidade onde vive e que sente um amor incondicional pelo pai, mas com quem também não consegue estabelecer uma comunicação satisfatória.
O sucesso profissional de Alberto Moravia e Elsa Morante possibilitou ao casal uma vida de viagens que enriqueceu muito a obra de ambos a partir das diferentes experiências e conhecimentos pessoais. O casal viajou por todo o mundo: EUA, África, Índia e, em 1960, veio ao Brasil para um evento de literatura, permanecendo no país por cerca de um ano. Logo após essa visita, em 1963, é publicada a coletânea de contos Lo scialle andaluso, pela editora Einaudi e, em 1968, serão publicados os poemas e canções de narrativas pensadas para o público infantil em Il mondo salvato dai ragazzini.
Entre o fim de 1970 e o início de 1971 Elsa Morante começa a desenvolver o enredo de A História, uma espécie de, como ela descreveu em suas entrevistas, “Ilíada dos nossos dias”, e que surge após a leitura dos apontamentos sobre literatura grega encontrados nos cadernos de Simone Weil. Somente em 1973 o livro ficará pronto e, ao ser lançado em 1974, foi um grande sucesso de público, apesar de receber muitas críticas do establishment. O livro tem a pretensão de ser uma espécie de epopeia, uma odisseia bélica da Itália e do mundo, opondo à História o humilde microcosmo de uma pequena família romana, composta por uma mulher insegura, um adolescente, um menino e dois cachorros.
A última obra publicada em vida por Elsa Morante foi Aracoeli, em 1981, o doloroso retrato de um personagem “especial”, que desesperadamente tenta reconstruir a figura materna perdida. Após diversos problemas de saúde, depressão e uma tentativa de suicídio, Elsa Morante morre de infarto em 1985.
Enquanto era viva Elsa Morante era classificada pela crítica literária italiana  como anticonformista e fora de moda porque no auge do neorealismo apresenta fábulas e quando o neorealismo está no seu fim, sua obra parecia se aproximar dessa estética com a publicação de A História. Ela exibe uma multiplicidade de inspirações que vai do visionário ao mítico, da memória à história e à exploração da interioridade mais secreta.  Da mesma forma, escolhe temas comuns, como a história da decadência de uma família ou a passagem pela adolescência. De acordo com uma pesquisa acadêmica italiana, escrita por Adriana Cibbodo, o diferencial de Elsa Morante é ter feito isso inovando através do sentir e do imaginar, presente no amplo respiro da sua prosa, às vezes até excessiva pelas insistências e tons carregados.

Elsa Morante a literatura italiana do século XX

A importância da obra de Elsa Morante nos estudos acadêmicos brasileiros sobre literatura estrangeira moderna se deve à qualidade literária, no sentido de uma construção criativa e original da narrativa, mas também pela proposta social a qual se propõe, ou seja,  crítica à história, voz aos oprimidos e valorização do gênero feminino. 
Existem muitos estudos acadêmicos e de crítica literária sobre os percursos literários de Elsa Morante como, por exemplo, Carlo Sgorlon, Concetta D’Angeli, Cesare Garboli e Drude Von der Ferh na Itália. No Brasil foram realizadas pelo menos duas pesquisas acadêmicas sobre essa autora, uma tese de doutorado de Maria Aparecida da Silva, na Universidade Federal do Rio de Janeiro,  e uma dissertação de mestrado na Universidade de São Paulo, elaborada por Luciane Alves.
Entre cânone e crise, identificamos uma escritora que usa as referências recebidas para criar uma narrativa ao mesmo tempo densa e acessível, de palavras que aparecem entre fortes escolhas de adjetivos e figuras de linguagem. Segundo um dos seus críticos italianos, Mario Sansone, no desenho histórico da literatura italiana Elsa Morante, antes de A História, era uma escritora essencialmente voltada para o sabor mágico das palavras, para o puro exercício da arte fora de qualquer ligação com o real. Nas suas histórias personagens e paisagens são envolvidos por uma atmosfera mítica, atraídos irresistivelmente pela veia lírico-fantástica da narradora.
 A História quebra esse percurso. 
Mas A História preserva outros elementos presentes em toda a bibliografia de Elsa Morante, como o tom lírico das descrições, o tema da loucura e, principalmente, temos presente a figura da mãe e sua relação com os filhos, como é possível observar  em Mezogna e Sortilegio, Aracoeli e L´Isola di Arturo. A maternidade, recusada na sua vida pessoal, será um tema muito abordado na narrativa da escritora e que aparece quase como tema central em A História
Segundo a análise de Carlo Sgorlon, em A História Elsa Morante conseguiu narrar em tom de fábula fatos culturais e históricos. É literatura como elemento de reflexão sobre a realidade e por isso crítica literária italiana tende a vê-la, em muitos casos, como uma escritora que se serve da narrativa ficcional como pretexto para uma interpretação ensaísta e ideológica da realidade. E a própria Elsa Morante afirmava que no seu processo criativo usava suas histórias pessoais para interpretar a realidade. 
De acordo com outro crítico italiano, Cesare Garboli, o amor é a temática central em Elsa Morante e ele aparece como uma espécie de síndrome, quase sempre ligado a uma relação doentia entre as pessoas. Esse amor é uma paixão sublime, mas infectada; “é  o vento que tudo carrega, mas é também uma planta inseparável da sua obscura e enterrada raiz social” . O contexto social aparece como um fato do qual não se pode escapar, “um muro contra o qual as paixões se chocam e são abatidas”
A crítica literária nem sempre foi muito coerente na análise da obra de Elsa Morante, considerada sempre uma figura difícil de ser catalogada na cultura literária italiana. Isto se deve ao fato de que ela foi um personagem marcado por um isolamento pessoal e artístico estranho para a mentalidade do seu tempo, em que os intelectuais estavam interessados na troca e nos diálogos. Provavelmente porque escolheu viver isolada, sem dúvidas a inserção de Elsa Morante no ambiente literário de Roma foi problemático. Desde o seu nascimento, a adaptação dessa escritora ao mundo se revelou cheia de obstáculos.
Segundo Carlo Sgorlon, Elsa Morante foi uma das “poucas narradoras de histórias encantadas no terrível século XX italiano”, um período marcado por guerras, miséria, violência e um forte individualismo. Sua personalidade selvagem,  distante dos fatos históricos, anárquica e resistente às assimilações das áridas características da cultura italiana, aliada a um conjunto de complexos psicológicos, conservou intacta a capacidade de narrar histórias cheias de fantasia e lirismo. Sua recusa inicial em não enfrentar a história real nos seus livros se deve certamente a uma tentativa de evasão artística que, após as experiências traumáticas vividas por ela, como a guerra e o regime fascista, vão aparecer na sua obra, mais especificamente em A História

giovedì 19 maggio 2011

Quem foi Elsa Morante?

Elsa Morante em Wikipedia



Para leitores analfabetos

A História é um romance popular. As estruturas que dirigem a elaboração do texto no leitor são, entre outros, principalmente os fatos de crônica que antecedem os fatos ficcionais e a narrativa historicamente situada. O lugar desse romance no contexto literário italiano insinua um tom panfletário de denúncia e reflexão sobre questões sociais e políticas que envolvem a guerra e as relações humanas, o individualismo e a desinformação. 
Nas questões sociais que o romance revela aparece outro paradigma teórico, que é o uso da linguagem e a construção da alteridade dos personagens. A partir das   reflexões de Pierre Bourdieu sobre o poder da palavra do ponto de vista sociológico  é abordado o problema da desigualdade social e de gênero. Bourdieu aponta o quanto é importante o papel da família nos processos de desigualdade, seja na relação de gênero como na procura por um lugar na sociedade. A família, centrada na educação e na promoção social das crianças, implica na divisão desigual entre os papéis dos homens e das mulheres. A identidade feminina da protagonista do romance é um aspecto essencial na proposta do romance, assim como a criança enfraquecida pelas crueldades da história (tanto da sua quanto pela História da humanidade).
Por meio da linguagem podemos ver, como propõe Bourdieu, o quanto as condições sociais e a eficácia do discurso ritual determinam também as oportunidades que aparecem ao longo da vida. O mutismo de Ida, a fraqueza intelectual de Nino e o infantilismo da linguagem de Useppe demonstram a limitação desses personagens na luta pela sobrevivência e por um lugar na história porque, como afirma Bourdieu, o poder da palavra reside nas limitações sociais de uso das palavras  e da disponibilidade da sociedade de oferecer condições favoráveis ao crescimento pessoal. 
A reflexão sobre o poder das palavras não pode deixar de lado a questão do uso da linguagem, das condições sociais de uso das palavras.   Bourdieu afirma que o poder das palavras é aquele delegado a quem tem a palavra, à natureza do discurso e à maneira de falar. Portanto vamos investigar a alteridade de Ida e Useppe a partir das categorias de Bourdieu, principalmente a partir do uso da palavra e da alteridade dos personagens identificadas por este uso, e pelas imagens que a autora oferecerá através das hipotiposes.
Elsa Morante dedicou este livro aos leitores implicitamente analfabetos. Na leitura proposta nessa pesquisa, esse leitor implícito é aquele que pode e quer ler além do que está impresso no papel, que tem capacidade de elaboração de uma realidade que muitas vezes não se revela nos fatos reais, que tem sensibilidade para acreditar na utopia e na bondade humana, apesar da violência e desumanidade da História. A autora oferece aos seus leitores uma opinião clara e definida, a partir do ponto de vista dos excluídos, sobre os fatos históricos. E se utiliza do argumento da maternidade para defender o papel feminino na determinação do percurso intelectual e cultural dos indivíduos.
Esse romance ocupa um lugar de destaque na bibliografia de Elsa Morante também porque se diferencia dos outros livros escritos por ela, sempre permeados pela fantasia e pelo mundo interior dos personagens. A História é uma exceção porque se propõe a buscar e representar o “mundo real”, no entanto, a crueza da realidade se depara com o lirismo das suas palavras, a construção de imagens fortes nos oferece ao mesmo tempo desenhos delicados de personagens frágeis. Esses são alguns dos motivos que deram a este livro um lugar de destaque na literatura italiana e que justificam essa pesquisa.  

mercoledì 18 maggio 2011

Pôr diante dos olhos

Elsa Morante morreu em 1985, relegada a um elenco de escritores italianos relativamente ignorados pela crítica e com um restrito público de leitores que, no entanto, aumentou muito nas últimas décadas.
 Atualmente A História é um clássico da narrativa italiana do século XX e faz parte do currículo de leituras obrigatórias nas escolas da Itália. Portanto, essa dissertação pretende também, justamente usando a hipotipose, “pôr” diante dos olhos do leitor brasileiro esse romance e convidá-lo a descobrir essa escritora.
O foco desta análise é o estudo da formação de imagens a partir da escolha das palavras e das figuras de linguagem. A hipotipose é uma descrição rica e convidativa que, neste caso, colabora na expressão da alteridade do universo feminino  principalmente através da protagonista, Ida Ramunda, e da sua relação com seus filhos Nino e Useppe. Essa figura oferece uma ampla possibilidade de leitura criativa porque se trata de recriar imagens na consciência do leitor. 
A hipotipose estimula o leitor não simplesmente a ver algo através das palavras, porém também a ter vontade de vê-lo. Pode ser uma descrição minuciosa, uma comparação, uma enumeração ou uma ambientação e é sempre feita com cores vivas, com expressões envolventes e ricas de significados ocultos. Partindo dos exemplos de hipotipose, ou seja, descrições, comparações,  enumerações,  aparece o contexto no qual os códigos apresentados pela escritora estão inseridos e de que forma podem dialogar com seus leitores. 
O leitor, com sua subjetividade, pode compreender ou não o romance como deseja o autor. Por isso a importância dos “vazios” no texto, as possibilidades de interação e de colaboração do leitor, conceitos usados por Wolfgang Iser para definir o sentido estético da literatura. O modelo de análise textual de Iser é um dos alicerces teóricos dessa dissertação. Segundo ele,  “sem a participação do leitor não se constitui o sentido real do texto”, visto que a interpretação pode ir além do que foi imaginado e escrito pelo autor.
A experiência estética da leitura leva o leitor à superação das limitações da vida cotidiana, à renovação de sua percepção e pode até mesmo provocar uma transformação. A teoria do efeito estético de Iser se articula no texto, mas vai além ao propor que tanto o texto quanto o leitor são portadores de um repertório de conhecimentos e normas sociais, éticas e culturais que interagem no momento da leitura. O leitor seria um receptor implícito, o que permitiria projetar os efeitos do ato de leitural, ou seja, não é possível definir quem é o leitor, nem ele é um personagem ou um narrador imaginado, mesmo assim, é capaz de dar vida ao texto. 
Seguindo a teoria da recepção de Iser, percebe-se que o romance de Elsa Morante é um texto que propõe diversos níveis de vazios e pontos de indeterminação que precisam ser preenchidos pelo leitor. Esses vazios muitas vezes são negações,  como a protagonista sem vontade, um filho que se amolda às circunstâncias e outro filho doente, um ser quase inexistente em um mundo de competição, de guerra e de luta.  O texto se confronta com o romance histórico tradicional e seus heróis, com a narrativa romântica e as descrições burguesas, oferecendo vazios que dão ao leitor a possibilidade de exercer o seu poder. No horizonte de expectativas do leitor, recorrendo à terminologia de Hans Robert Jauss, o romance pode provocar a assimilação e a elaboração de novos pontos de vista, como a discussão sobre a alteridade de Ida Ramundo na sua relação com a maternidade. 

martedì 17 maggio 2011

O bárbaro e o primitivo na humanidade

O romance A História (La Storia), da italiana Elsa Morante, foi escrito entre 1971 e 1973 e publicado na Itália em 1974. No Brasil foi publicado pela editora Record, com tradução de Wilma Freitas Ronald de Carvalho, em 1978. O objetivo desse estudo é observar como os personagens aparecem aos olhos do leitor através da figura de linguagem denominada hipotipose. A forma como o leitor lê esse romance é investigada usando a teoria do efeito estético de Wolfgang Iser, através do conceito de “leitor implícito”, que seria um leitor desejado ou imaginado pelo autor e que é capaz de realizar inferências e interagir com o texto. A ênfase da análise reside, portanto, no poder simbólico da palavra e na construção da alteridade dos personagens. 
A ideologia percebida no livro é aquela de não ignorar a História, mas de enfrentá-la diretamente, recontando a história a partir das vivências das classes mais pobres e marginalizadas. O  romance se desenvolve durante a Segunda Guerra Mundial  na Itália e o conflito aparece a partir da simplicidade da existência de uma professora primária, Ida Ramunda, filha de professores primários, que se casa com um caixeiro viajante e fica viúva ainda jovem. Ida tem um filho rebelde, Antonino, e vive a sua vida com dificuldade quando é estuprada por um soldado alemão, que a engravida. Desse ato violento nasce Giuseppe, um menino fraco e que sofre de uma forma grave de epilepsia, mas que, pelo seu comportamento dócil, simboliza a bondade e a pureza. Um dos temas mais explorados na obra de Elsa Morante é a identificação do elemento bárbaro e primitivo na humanidade, como vemos na análise de Carlos Sgorlon e Drude Von der Fehr.  Nesse romance a violência e a indiferença tornam ainda mais cruel a relação entre os homens, o que faz de Giuseppe o símbolo da utopia defendida pela escritora.
A alteridade é a expressão da individualidade e do convívio em sociedade. Em “A História” a alteridade da personagem Ida Ramundo é também uma proposta de representação da maternidade, a partir de diversos personagens que encarnam o “ser mãe” como um processo de construção da individualidade e de expressão de si mesmo perante o outro. Essa escolha de uma mater dolorosa como a protagonista do romance permite estabelecer um diálogo, mesmo em silêncio, com tantas outras mães sofredoras e piedosas. A imagem dessa mãe é criada a partir das descrições minuciosas e envolventes que Elsa Morante oferece através de hipotiposes, essa figura de linguagem que “convida a ver” .
De acordo com a crítica literária italiana, A História representaria a retomada do romance histórico do ponto de vista da narrativa popular. O romance é ambientado nos bairros populares de Roma e é permeado por um espírito de protesto, com a exaltação dos humildes, que são personagens mais valorizados que os poderosos. Por isso a escolha de uma linguagem simples, com uma clara finalidade didática e demonstrativa. A obra de Elsa Morante, rotulada pela crítica como “neorealista não engajada”, permite também realizar reflexões sobre as condições e participação da mulher ao longo da História, nos espaços públicos e privados.

lunedì 16 maggio 2011

Um estudo sobre hipotiposes em "A História", de Elsa Morante

 Apresento minha pesquisa sobre o romance A História, da escritora italiana Elsa Morante. http://dspace.c3sl.ufpr.br/dspace/handle/1884/26530Será investigada a expressão da alteridade dos personagens, em especial a da Mater dolorosa Ida Ramundo e sua relação com os filhos Nino e Useppe durante a Segunda Guerra Mundial. Os personagens são apresentados através de imagens criadas pela figura de linguagem identificada como hipotipose.  O poder da palavra e o efeito estético que ela exerce no leitor são os instrumentos de reflexão sobre a violência e submissão entre indivíduos marginalizados na história. Assim como seus personagens, Elsa Morante esteve à margem do panorama literário do século XX, e essa pesquisa tem como objetivo também contribuir para um resgate desta escritora nos estudos literários brasileiros.

Questa è una ricerca sul libro La Storia, della scrittrice  italiana Elsa Morante. È stata compiuta una indagine sull’espressione dell’alterità dei personaggi, in particolare la Mater dolorosa Ida Ramundo e il suo rapporto con i figli Ninno e Useppe in mezzo alla Seconda Guerra. I personaggi appaiono prendendo spunto dalle immagini suggerite per il tropo della retorica identificato come ipotiposi. Il potere della parola e l’effetto estetico della stessa sul lettore sono gli strumenti di riflessione sulla violenza e la sottomissione tra persone marginali nella Storia. Così come i suoi personaggi, Elsa Morante è stata messa  in disparte nel contesto del panorama letterario italiano del Novecento, e questo lavoro si propone anche come un contributo per mettere alla luce questa scrittrice nell’ambito degli studi letterari brasiliani.