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martedì 17 maggio 2011

O bárbaro e o primitivo na humanidade

O romance A História (La Storia), da italiana Elsa Morante, foi escrito entre 1971 e 1973 e publicado na Itália em 1974. No Brasil foi publicado pela editora Record, com tradução de Wilma Freitas Ronald de Carvalho, em 1978. O objetivo desse estudo é observar como os personagens aparecem aos olhos do leitor através da figura de linguagem denominada hipotipose. A forma como o leitor lê esse romance é investigada usando a teoria do efeito estético de Wolfgang Iser, através do conceito de “leitor implícito”, que seria um leitor desejado ou imaginado pelo autor e que é capaz de realizar inferências e interagir com o texto. A ênfase da análise reside, portanto, no poder simbólico da palavra e na construção da alteridade dos personagens. 
A ideologia percebida no livro é aquela de não ignorar a História, mas de enfrentá-la diretamente, recontando a história a partir das vivências das classes mais pobres e marginalizadas. O  romance se desenvolve durante a Segunda Guerra Mundial  na Itália e o conflito aparece a partir da simplicidade da existência de uma professora primária, Ida Ramunda, filha de professores primários, que se casa com um caixeiro viajante e fica viúva ainda jovem. Ida tem um filho rebelde, Antonino, e vive a sua vida com dificuldade quando é estuprada por um soldado alemão, que a engravida. Desse ato violento nasce Giuseppe, um menino fraco e que sofre de uma forma grave de epilepsia, mas que, pelo seu comportamento dócil, simboliza a bondade e a pureza. Um dos temas mais explorados na obra de Elsa Morante é a identificação do elemento bárbaro e primitivo na humanidade, como vemos na análise de Carlos Sgorlon e Drude Von der Fehr.  Nesse romance a violência e a indiferença tornam ainda mais cruel a relação entre os homens, o que faz de Giuseppe o símbolo da utopia defendida pela escritora.
A alteridade é a expressão da individualidade e do convívio em sociedade. Em “A História” a alteridade da personagem Ida Ramundo é também uma proposta de representação da maternidade, a partir de diversos personagens que encarnam o “ser mãe” como um processo de construção da individualidade e de expressão de si mesmo perante o outro. Essa escolha de uma mater dolorosa como a protagonista do romance permite estabelecer um diálogo, mesmo em silêncio, com tantas outras mães sofredoras e piedosas. A imagem dessa mãe é criada a partir das descrições minuciosas e envolventes que Elsa Morante oferece através de hipotiposes, essa figura de linguagem que “convida a ver” .
De acordo com a crítica literária italiana, A História representaria a retomada do romance histórico do ponto de vista da narrativa popular. O romance é ambientado nos bairros populares de Roma e é permeado por um espírito de protesto, com a exaltação dos humildes, que são personagens mais valorizados que os poderosos. Por isso a escolha de uma linguagem simples, com uma clara finalidade didática e demonstrativa. A obra de Elsa Morante, rotulada pela crítica como “neorealista não engajada”, permite também realizar reflexões sobre as condições e participação da mulher ao longo da História, nos espaços públicos e privados.

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