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mercoledì 18 maggio 2011

Pôr diante dos olhos

Elsa Morante morreu em 1985, relegada a um elenco de escritores italianos relativamente ignorados pela crítica e com um restrito público de leitores que, no entanto, aumentou muito nas últimas décadas.
 Atualmente A História é um clássico da narrativa italiana do século XX e faz parte do currículo de leituras obrigatórias nas escolas da Itália. Portanto, essa dissertação pretende também, justamente usando a hipotipose, “pôr” diante dos olhos do leitor brasileiro esse romance e convidá-lo a descobrir essa escritora.
O foco desta análise é o estudo da formação de imagens a partir da escolha das palavras e das figuras de linguagem. A hipotipose é uma descrição rica e convidativa que, neste caso, colabora na expressão da alteridade do universo feminino  principalmente através da protagonista, Ida Ramunda, e da sua relação com seus filhos Nino e Useppe. Essa figura oferece uma ampla possibilidade de leitura criativa porque se trata de recriar imagens na consciência do leitor. 
A hipotipose estimula o leitor não simplesmente a ver algo através das palavras, porém também a ter vontade de vê-lo. Pode ser uma descrição minuciosa, uma comparação, uma enumeração ou uma ambientação e é sempre feita com cores vivas, com expressões envolventes e ricas de significados ocultos. Partindo dos exemplos de hipotipose, ou seja, descrições, comparações,  enumerações,  aparece o contexto no qual os códigos apresentados pela escritora estão inseridos e de que forma podem dialogar com seus leitores. 
O leitor, com sua subjetividade, pode compreender ou não o romance como deseja o autor. Por isso a importância dos “vazios” no texto, as possibilidades de interação e de colaboração do leitor, conceitos usados por Wolfgang Iser para definir o sentido estético da literatura. O modelo de análise textual de Iser é um dos alicerces teóricos dessa dissertação. Segundo ele,  “sem a participação do leitor não se constitui o sentido real do texto”, visto que a interpretação pode ir além do que foi imaginado e escrito pelo autor.
A experiência estética da leitura leva o leitor à superação das limitações da vida cotidiana, à renovação de sua percepção e pode até mesmo provocar uma transformação. A teoria do efeito estético de Iser se articula no texto, mas vai além ao propor que tanto o texto quanto o leitor são portadores de um repertório de conhecimentos e normas sociais, éticas e culturais que interagem no momento da leitura. O leitor seria um receptor implícito, o que permitiria projetar os efeitos do ato de leitural, ou seja, não é possível definir quem é o leitor, nem ele é um personagem ou um narrador imaginado, mesmo assim, é capaz de dar vida ao texto. 
Seguindo a teoria da recepção de Iser, percebe-se que o romance de Elsa Morante é um texto que propõe diversos níveis de vazios e pontos de indeterminação que precisam ser preenchidos pelo leitor. Esses vazios muitas vezes são negações,  como a protagonista sem vontade, um filho que se amolda às circunstâncias e outro filho doente, um ser quase inexistente em um mundo de competição, de guerra e de luta.  O texto se confronta com o romance histórico tradicional e seus heróis, com a narrativa romântica e as descrições burguesas, oferecendo vazios que dão ao leitor a possibilidade de exercer o seu poder. No horizonte de expectativas do leitor, recorrendo à terminologia de Hans Robert Jauss, o romance pode provocar a assimilação e a elaboração de novos pontos de vista, como a discussão sobre a alteridade de Ida Ramundo na sua relação com a maternidade. 

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