Essa tentativa de renovação na literatura italiana é identificada em Alberto Moravia, Cesare Pavese, Elio Vittorini, Vitaliano Brancati, Carlo Bernari, Vasco Pratolini e Guido Piovene. Imediatamente após o fim da guerra e com a epopeia da resistência, como explica Mario Sansone, a Itália é tomada de um sentimento de “otimismo cheio de esperança”. Houve uma tendência à participação e à representação da sociedade e do mundo real, afastando-se do mero subjetivismo ou psicologismo, inserindo-se na vida real que nos circunda, fazendo o artista se sentir até mesmo participante e intérprete da sociedade.20
A proposta era retratar a sociedade italiana com as suas injustiças sociais, suas misérias, sofrimentos, imobilidades, trazendo novas esperanças, energia e fé. De acordo com Sansone, o Neorealismo foi o movimento literário que predominou entre 1945 e 1955 e que se manifestou como literatura de lembranças de guerra, de prisão, de luta, ou seja, como um amplo testemunho da guerra e da Resistência. Foi uma nova forma de dominar a realidade ou de encará-la, usando nos seus enredos personagens das classe mais humildes, alimentando o sentimento de renovação civil através da valorização do dialeto, do léxico e da sintaxe aproximativos do falado, a linguagem das coisas e a partir das coisas. São representantes do Neorealismo italiano, além de Moravia, citado anteriormente, Beppe Fenoglio, Francesco Jovine, Mario Rigoni Stern, Primo Levi, Pietro Caleffi, Renata Viganò, Giuseppe Marotta, Carlo Levi e algumas obras de Elio Vittorini, Italo Calvino, Carlo Cassola, Giorgio Bassani e Leonardo Sciascia.
Em um certo sentido o Neorealismo é herdeiro do Realismo do século XIX, mas muda a perspectiva. Os personagens do século XIX representavam um determinado ambiente, no século XX a atenção é mais concentrada nas contradições internas dos personagens, tomados por questões existenciais, transtornados pelo devastante impacto das grandes tragédias históricas, como pode-se observar nas obras de Cesare Pavese. O romance neorrealista apresenta várias características em relação à tipologia do narrador e à escolha do foco da narrativa. O narrador onisciente desaparece para dar lugar a um foco neutro, como no romance histórico; muda de um narrador externo para um narrador interno com o foco variável, dependendo do interesse do autor. No caso dos romancistas do Verismo, por exemplo, eles tinham a tendência em apresentar um ponto de vista coletivo, que no Neorrealismo, no entanto, dará lugar a uma voz mais individualista.
A crise do Neorealismo acontece na metade da década de 50, quando o clima político e civil italiano se transforma e os escritores sentem necessidade de uma maior autonomia artística. É nesse momento que Elsa Morante desenvolve as suas histórias. Inicialmente se dedica à evasão, à valorização do psicológico nos personagens, aos sentimentos. E quando o Neorealismo já é um movimento relativamente superado, escreve e publica A História, que fica na metade do caminho entre ser um romance “engajado” e a preservação de um enredo psicológico e sentimentalista. A partir desse romance, Elsa Morante se torna uma escritora mais completa e, em um certo sentido, atinge a maturidade.
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