Retornando ao período da atividade de Elsa Morante, a influência mais marcante do pós-guerra no pensamento italiano foi a do pensador e político italiano Antonio Gramsci (1891-1937). Inicialmente estudioso de línguas, Antonio Gramsci foi um dos fundadores do Partido Comunista e sempre se manteve intelectualmente ativo, primeiro como crítico teatral depois como jornalista. Eleito deputado em 1924, foi preso e condenado em 1926, passando o resto na vida na prisão. Sua saúde ficou muito debilitada e ele morreu com apenas 46 anos em 1937. As suas anotações sobre os mais variados assuntos foram preservadas e publicadas com o nome de “Cadernos do
26cárcere”. Apesar da aparente fragmentação da sua obra, em linha geral os seus escritos obedecem a uma coerência orgânica e complexa.
Gramsci se dedicou também à história da literatura, concebendo sempre a cultura como parte da política, e escreveu sobre a função da cultura, o papel dos intelectuais, os conceitos de poesia, de crítica e de literatura. O conceito de “bloco histórico”, formado pelos operários do norte da Itália e pelos camponeses do Sul, é essencial para entender o pensamento gramsciano, que sugeria então que os intelectuais se tornassem a consciência deste “bloco”, tornando-se “orgânicos”, ou seja, elementos decisivos na futura hegemonia das classes proletárias e trabalhadoras. Gramsci defendia a autonomia e a subjetividade da arte, mas acreditava que o artista se nutria da cultura da sua época.
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