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giovedì 30 giugno 2011

Influências

Além dos veristas, a crítica literária italiana identificou como influência em Elsa Morante a poesia dos italianos Umberto Saba e Sandro Penna.
Nas poesias de Umberto Saba (1883-1957), aparecem todos os aspectos da vida quotidiana e da sua própria vida por meio de palavras domésticas, “palavras sem história”, escolhidas e escritas pela sua concreta objetividade.
Sandro Penna (1906-1977) foi poeta símbolo do homossexualismo na Itália, amigo de Saba e de Pier Paolo Pasolini. Classificado na linha anti-século XX, a sua linguagem é marcada pela estreita ligação com a tradição, mas aparece clara, imediata e de fácil compreensão. Nas poesias de Penna aparece a representação da realidade através de um acentuado caráter de descrição e narratividade. Suas poesias são sempre ligadas ao tema da homossexualidade e se realiza em formas aparentemente simples e musicais.



 Os romances de Elsa Morante têm uma estrutura de prosa lírica. Os temas giram em torno de objetos e coisas simples e concretas, funcionando como uma espécie de “decoração” da cena poética. A realidade para Elsa Morante está sempre envolvida em mistério e fantasia. Ela escreve de forma barroca, ou seja, exagerada, rica de detalhes e com cores fortes e impressionantes, também apresenta algumas construções em dialeto, mas a linguagem é sempre preciosa e elegante, mesmo quando os personagens são pessoas humildes.
A violência da Segunda Guerra Mundial irá marcar profundamente a vida de Elsa Morante, mas tal influência só vai aparecer vinte anos mais tarde, com a publicação de A História. A guerra foi um marco importante na história da literatura europeia, principalmente na Itália, mas enquanto a maioria dos escritores italianos se ressente dessas transformações, Elsa Morante se fecha no seu mutismo e se dedica aos seus romances psicológicos, parecendo ignorar a realidade.
As modificações territoriais, políticas e econômicas sofridas pelo país geraram um amplo movimento ideológico e cultural. Fala-se de uma “nova poética”, é o momento do Neorealismo. Como ressalta Mario Sansone, de um lado diziam que a literatura durante o período fascista teria procurado o caminho da evasão e da ausência; de outro lado, que os escritores teriam tentado manter a independência apesar da violência do regime fascista. O que se percebe claramente é que política e literatura conviveram intimamente nesse momento da história italiana.

Entre as novas orientações do pensamento literário italiano do pós-guerra estava a revolta anticrociana, ou seja, a crítica às doutrinas de Benedetto Croce (1866-1952), Apesar de ter sido um crítico ativo do fascismo, Croce foi apontado como um representante da burguesia privilegiada e do liberalismo conservador. Para os seus críticos, a sua oposição ao fascismo teria tido um caráter moralista e conservador e não revolucionário. Croce foi um historiador e filósofo muito preocupado com as questões formais e morais, como os comportamentos sociais, o respeito às leis e às regras.
No pós-guerra o pensamento intelectual italiano também recupera a figura de Francesco De Sanctis (1817-1883), que na sua Storia della letteratura italiana (1870) estabelece uma ligação entre o conteúdo e a forma com o objetivo de reconstruir o mundo moral e cultural no qual poderiam nascer as grandes obras literárias. De Sanctis considera a arte como algo “vivo”, como “forma”, e acreditava que entre forma e conteúdo não existisse distinção. O escritor, para De Sanctis, não está nunca isolado em si mesmo e recebe sempre influências externas.
O pensamento deste intelectual italiano será severamente criticado pelo positivismo que predominava na sua época. Somente com Croce acontece então uma reavaliação do seu método e, em seguida, Antonio Gramsci usará a obra de De Sanctis como inspiração para importantes críticas de inspiração marxista.
A revista Il politecnico (1945-1947), criada pelo escritor Elio Vittorini, marcou o período do pós-guerra ao defender que a função da literatura italiana naquele momento era fazer a Itália sair do isolamento cultural no qual o país se encontrava. A intenção de Vittorini era de “politicizar” a literatura italiana ao mesmo tempo que defendia a sua autonomia em relação às questões políticas e econômicas do período.

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